Justiça para Dr. Richard Matthew Stallman
#tolerancia #rms #softwarelivre #gnu #liberdade

Índice

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1 Introdução

Dr. Richard Stallman discursando com um microfone

Figura 1: Dr. Richard Stallman em Atenas discursando sobre “Uma Sociedade Digital Livre” (fotografia da Wikimedia Commons, sob licença CC-BY-SA-4.0)

Dr. Richard Matthew Stallman (nascido em 16 de março de 1953), conhecido por suas iniciais “rms”, é um cientista da computação, programador, hacker ético, filósofo e ativista estadunidense do movimento software livre. Ele foi pioneiro na luta para que software seja distribuído de modo a respeitar liberdades fundamentais do usuário: usar, estudar, distribuir e modificar o software. Software que respeita essas quatro liberdades se denomina software livre .

Stallman fundou o fundamental projeto GNU (tipicamente chamado de Linux1), a FSF, desenvolveu o GCC, o GDB e o editor de texto extensível GNU Emacs. Pelo desenvolvimento de GCC e Emacs ele recebeu os prêmios ACM Software System Award e ACM Grace Murray Hopper Award, respectivamente.

Ao escrever a GPL, Stallman foi pioneiro do conceito de copyleft, que garante liberdades fundamentais aos usuários finais de trabalhos de software e outros trabalhos criativos e intelectuais.

Stallman empregou suas notáveis habilidades para promover liberdade de software e direitos digitais (especialmente privacidade) e desenvolveu software livre vivendo uma vida modesta, enquanto seus colegas de profissão acumulavam enorme riqueza. Ele tem pregado liberdade de software e direitos digitais desde o início da década de 1970 e adere estritamente a esse código moral2.

Desde pelo menos setembro de 2019, Stallman sofre uma campanha difamatória pela Internet que o forçou a renunciar de sua posição no MIT e até da FSF que ele próprio fundou e liderava—renunciou como presidente e como membro do conselho de administração)3. No segundo dia (21 de março) do LibrePlanet 2021, 18 meses após sua renúncia, Stallman anunciou seu retorno ao conselho de administração da FSF (não ao cargo de Presidente), o que reacendeu a controvérsia.

A campanha é motivada por erros de interpretação, desproporcionalidade e intolerância.

2 Erros de interpretação

Em setembro de 2019, uma mensagem foi enviada para uma lista de correio eletrônico do MIT promovendo um protesto relacionado a doações que Jeffrey Epstein4 fizera ao instituto3. Stallman então enviou mensagens se opondo às palavras usadas na Internet para descrever o protesto. Ele é conhecido por insistir em correção terminológica6. Sua objeção era que seu falecido amigo Marvin Minsky7 não deveria ser acusado de ter agredido sexualmente [ tradução livre de sexually assaulting ] uma das vítimas de Epstein. Stallman argumentou que aqueles termos propiciavam acusação exagerada, e que críticas devem se basear em termos mais precisos8.

A trilha de mensagens foi deturpada, vazou para a imprensa e as duas seguintes falsas acusações foram feitas contra Stallman:

2.1 Stallman como apoiador de Epstein

Pelo menos dois grandes sítios eletrônicos publicaram artigos acusando Stallman de defender Epstein. Os sítios não apresentaram nenhum bom argumento para embasar a acusação, apenas uma citação gravemente errada. Na verdade, em 25 de abril de 2019 Stallman classificara Epstein como um estuprador em série (“serial rapist”)3 que obtivera um acordo extremamente leniente (“extremely lenient”) com a Justiça—leniente a ponto de ser ilegal (“so lenient that it was illegal”). Stallman então levantou a possibilidade de sentenciar Epstein a uma pena mais longa (“whether this makes it possible to resentence him to a longer prison term”).

2.2 Stallman como culpador da vítima

Muitos grandes sítios eletrônicos publicaram artigos acusando Stallman de argumentar que a vítima de Epstein teria se prostituído por livre vontade (“entirely willing”), devido a grave erro de interpretação de texto.

Na verdade, ao falar sobre Virginia Giuffre (a vítima de Epstein sobre quem Stallman escreveu), ele escreveu que o cenário mais plausível (“most plausible scenario”) era de que ela teria se apresentado a ele [Marvin Minsky] como inteiramente disposta (“she presented herself to him as entirely willing”) [grifo meu] apesar da coerção de Epstein, visto que o traficante tinha fortes motivos para lhe dizer para esconder a coerção (“had every reason to tell her to conceal that”)3. Então em sua segunda mensagem da mesma trilha, Stallman escreveu que, dadas as circunstâncias, o depoimento implicava que ela estava sob coerção de Epstein (“given the circumstances, that implies she was coerced by Epstein”)[grifo meu]. Alguns parágrafos depois ele reiterou3:

Sabemos que Giuffre estava sendo coagida a fazer sexo—por Epstein. Ela estava sendo vitimizada. Mas os detalhes afetam se, e a que ponto, Minsky era responsável por isso.

[tradução9 e grifo meus]

Dessa forma, Stallman escreveu múltiplas vezes que a garota fora vítima de sexo coagido. Ele apenas não viu evidência de que Marvin Minsky sabia da coerção. Stallman presumiu que Minsky não havia sido responsável. Ele não presumiu que a vítima estivesse de fato disposta.

2.2.1 Entendimento pobre sobre dinâmica de poder em relações sexuais

A hipótese de Stallman era realista? Um homem da idade de Minsky poderia ter suspeitado que havia algo errado sobre aquela situação, mesmo que a garota disfarçasse a coerção, e mesmo naquela época—antes da divulgação das atrocidades de Epstein. Mas então a acusação plausível contra Stallman seria de ter entendimento fraco sobre dinâmica de poder em relacionamentos sexuais e, de maneira não intencional, proferir comentários insensíveis e inoportunos que poderiam afetar vítimas de crimes sexuais. Ele não argumentou que a vítima de Epstein tivesse se prostituído por livre vontade.

3 Opiniões políticas sobre sexo e aborto em seu sítio pessoal

Parte da estória é que o sítio eletrônico pessoal de Stallman (que veicula suas opiniões pessoais e é claramente separado de FSF, GNU e MIT) tem algumas opiniões políticas sobre sexo, aborto e assuntos relacionados que são amplamente vistas como problemáticas. Por exemplo, em uma nota de 2003 ele escreveu “Penso que seria bom todo mundo a partir dos 14 anos participar de sexo, embora não indiscriminadamente. (Algumas pessoas ficam prontas mais cedo.)” [tradução minha] 10 Em 2006, ele expressou ceticismo sobre a afirmação de que “pedofilia voluntária” prejudicava crianças.

Eu me oponho a várias das opiniões de Stallman sobre sexo, aborto e assuntos relacionados; a algumas eu me oponho fortemente (ver seção 7). Entretanto, após conversas pessoais nos últimos anos, Stallman mudou de ideia e publicou a retratação de suas opiniões anteriores de tolerância a sexo entre adultos e crianças. Há evidência de que ele já mudara suas opiniões em 30 de junho de 2016. Naquele dia, um editor da Wikipédia que escrevera uma mensagem a Stallman informou que, conforme a resposta de Stallman, suas opiniões já haviam mudado significativamente.

Por fim, os detratores de Stallman julgaram como transfóbica sua sugestão de melhores pronomes neutros a gênero. Eu realmente não enxergo transfobia nisso. A sugestão é claramente neutra a gênero, e seus opositores não especificam qual seria o problema com ela exceto afirmar que é incorreta.

Stallman discorda sobre como melhor mudar a linguagem para ser neutra a gênero, mas concorda que é preciso fazê-lo. Ele claramente apoia neutralidade de gênero, e de fato, dedica tempo e esforço. Sua discordância sobre como melhor fazê-lo é consistente com sua conhecida exigência de correção e precisão terminológica.6 Ele frequentemente escreve em defesa do movimento transgênero.11 Leah Rowe, a líder transgênero do projeto Libreboot, fortemente apoia Stallman.

4 Opinião política sobre sexo não forçado com jovem de 17 anos

Uma das mensagens vazadas (de 2019) de Stallman ainda sugeria que sexo não forçado entre um adulto e um(a) jovem de 17 anos não deveria ser considerado igual a “estupro”. Ao julgar essa opinião, deve-se levar em consideração o contexto mundial e o fato de que Stallman estava argumentando a favor de correção terminológica.

Para contexto mundial, pode-se olhar para Brasil e Europa. De fato, como a BBC informou em março de 2018, Alemanha, Áustria, Hungria, Itália e Portugal definem 14 anos como idade de consentimento (assim como o Brasil) e em nenhum país europeu essa idade supera 17 anos. Nesse contexto, enquanto eu me oponho a sexo com crianças ou pessoas no início da adolescência, considero perfeitamente aceitável a opinião12 política de que 17 anos deveria ser uma idade suficiente para legalmente consentir com sexo.

Enfatizo a palavra legalmente. Legalidade, moralidade e aceitabilidade social são conceitos diferentes. A mesma pessoa que julga gravemente imoral um homem maduro fazer sexo casual com uma moça de 17 anos pode considerar que esse ato não constitui crime.

Mesmo quem apoie uma idade legal de consentimento de 18 anos pode concordar que sexo não forçado com jovem de 17 anos (legal no Brasil e em toda a Europa), por ser significativamente diferente e muito menos grave que sexo forçado, deveria ser descrito por um termo específico, e não simplesmente “estupro”—o termo a que Stallman fez objeção. Ele é conhecido por insistir em correção terminológica, o que é especialmente importante ao acusar uma pessoa de grave crime. Se uma pessoa é acusada de ter cometido X, então é injusto levar o público a entender a acusação como Y, quando Y é significativamente diferente e muito mais grave que X.

5 Desconforto a mulheres

Detratores de Stallman divulgaram relatos de mulheres que se sentiram desconfortáveis com ele. Alguns dos relatos são meras antigas piadas e mal entendidos; outros foram explicados.

Detratores de Stallman o acusam de misoginia. No entanto, ao considerar tudo em contexto e boa fé, o retrato é de um homem excêntrico e com baixa habilidade social mas não misoginia—e, após anos de esforço, mesmo sua habilidade social melhorou.

6 Tempestade perfeita

Há um forte movimento para combater certas formas de marginalização como a objetificação das mulheres—práticas como assédio sexual e tráfico de pessoas para sexo, incluindo a aparente cumplicidade do MIT com os crimes de Epstein—e racismo sistêmico. Essa luta é uma boa ideia que, aliás, deveria ter vindo muito antes. No entanto, esse movimento cria fortes emoções que podem facilmente prejudicar inocentes ou resultar em punições desproporcionais a quem seja acusado de infrações. É sábio tomar cuidado contra esse perigo.

Richard Stallman de fato expressou algumas opiniões políticas controversas em assuntos sensíveis, geralmente como resultado de questionar o status quo. Isso por acaso justifica a forte campanha difamatória atual?

7 Tolerância e mente aberta

Eu não peço ao leitor que concorde com todas as opiniões de Stallman. Inclusive eu sou católico roxo, ortodoxo, casado, e apoio castidade e moral cristã em geral—dentro de uma cosmovisão coerente e razoavelmente tolerante inspirada pelo fenomenal Papa Francisco. Eu me oponho a várias das opiniões de Stallman sobre sexo, aborto e assuntos relacionados; a algumas eu me oponho fortemente.

No entanto, eu apoio tolerância e mente aberta—“avaliai tudo, retendo o que é bom” (1 Tessalonicenses 5, 21). Aprende-se muito com a visão de Stallman sobre liberdades civis, privacidade, ambientalismo, justiça econômica e social e política—especialmente liberdade de software e direitos digitais. Isso é análogo a como eu me oponho à intolerância e injusta violência da Revolução Francesa mas apoio a devida separação entre Igreja e Estado e o sistema métrico.

7.1 Consequências da expressão e tabu

Argumenta-se com frequência que “liberdade de expressão não exime das consequências”. De acordo com esse argumento, o direito a liberdade de expressão apenas restringe a censura estatal, enquanto particulares e organizações privadas podem arbitrariamente punir opiniões tabu.

Até certo ponto, esse argumento é válido. O grande poder coercitivo do Estado deve ser cuidadosamente limitado, enquanto particulares e organizações privadas têm liberdade de associação. De fato, particulares e organizações privadas não escolhem livremente estar sob a jurisdição do Estado, o que representa grave perigo de que o Estado se torne opressor e viole direitos e liberdades. Mesmo governos eleitos podem se tornar opressores, devido a perigos como a tirania da maioria. Por sua vez, as pessoas escolhem se vão se associar a (outros) particulares e organizações privadas. Se um particular ou organização privada se torna opressivo, pode ser evitado. Portanto, de acordo com o argumento, particulares e organizações privadas podem arbitrariamente punir comportamentos indesejados e mesmo opiniões tabu por meio de ações como boicotes e pressão para renunciar.

Esse argumento é válido, mas apenas até certo ponto. Uma sociedade livre precisa não apenas de limites à coerção do Estado mas também uma prevalente cultura de tolerância. Exclusão social é um grande poder que, se exercido injustamente, pode causar grave injustiça. Legisladores sentiram a necessidade de criminalizar algumas formas de exclusão social injusta por particulares e organizações privadas—por exemplo, certas formas de discriminação injusta.

Embora algumas formas de exclusão social injusta já tenham sido criminalizadas, seria ingênuo acreditar que exclusão social intolerante, desproporcional ou insensata é um problema resolvido. A crença de que todas as formas legalmente permitidas de exclusão social são justas depende da premissa de que o Estado já criminalizou todas as formas injustas. No entanto, o Estado não pode criminalizar todos os erros—se ele o fizesse, seria totalitário. Por justiça e coerência, eu não peço que todos os detratores de Stallman sejam punidos13. Ao invés disso, à sua campanha ruim (insensata e iliberal) eu apenas contraponho argumentos.

Exclusão social baseada em opiniões políticas pessoais fora de (e não relacionadas a) o trabalho da pessoa é frequentemente contraproducente a uma sociedade livre. Em geral, a sociedade deve combater opiniões indesejadas com argumentos ou (quando apropriado) severa repreensão. Campanhas para severamente punir o autor da opinião devem ser reservadas para poucos casos bem específicos—p. ex. apologética fascista ou difamação de subordinados motivada por sexo, raça ou orientação sexual por um detentor de poder institucional.

Se a sociedade se acostuma a severamente punir opiniões políticas tabu, mesmo aquelas não relacionadas ao trabalho do autor da opinião—e mesmo após ele se retratar da opinião mais chocante—então o que ocorre quando, em determinado assunto, a opinião prevalente estiver errada? Como poderemos ter um debate livre, buscar a Verdade, e reformar a sociedade? O que aconteceu com a liberdade de expressão?

Eu não defendo liberdade de expressão absoluta, mas entendo censura—especialmente de ideias políticas, filosóficas ou religiosas—como um ato violento (mesmo se feita pela sociedade civil) com sérias consequências a longo prazo. Reclamações devem ser ouvidas.

De fato, de acordo com Suzanne Nossel (CEO da PEN America e ex diretora executiva da Anistia Internacional dos Estados Unidos), apelar a instituições para restringir discurso as empodera, e “elas, no fim das contas, empregarão tal prerrogativa para suprimir críticos conforme seu próprio interesse.” Ela acrescenta14:

Reivindicações descuidadas por punição de discurso errante desencorajam as pessoas de se engajar em dissidência e deliberação do tipo que mantém uma sociedade dinâmica e evita o endurecimento de rígidas ortodoxias.

[…]

Em toda a história dos Estados Unidos e ao redor do mundo em lugares como China, Turquia e Irã, são dissidentes, minorias e críticos do governo os mais vulneráveis na ausência de robustas proteções de liberdade de expressão.

7.2 Quem se opõe à censura do politicamente correto e cultura do cancelamento

Há quem desqualifique a reivindicação por liberdade de expressão como um apelo racista em código. Yascha Mounk no The Atlantic refutou essa hipótese 15, 2 via um estudo com base em pesquisa nacionalmente representativa com 8 mil respondentes, 30 entrevistas de uma hora e seis grupos focais conduzida de dezembro de 2017 a setembro de 2018. O estudo revelou que os ativistas do cancelamento, embora extremamente barulhentos, são uma pequena minoria. De fato, 80% de todos os respondentes, e 79% daqueles menores de 24 anos, entendiam que “o politicamente correto é um problema no nosso País.”

Essa opinião era compartilhada por 79% dos brancos. Eram os asiáticos (82%), hispânicos (87%) e indígenas americanos (88%) os grupos raciais com as maiores proporções de oposição ao politicamente correto. A oposição era de 75% mesmo entre os negros. Isso significa que uma forte maioria dos supostos beneficiários do politicamente correto na verdade o entendem como um problema; e o percentual dos negros é apenas 4 pontos percentuais inferior ao dos brancos.

Ao mesmo tempo, 82% dos americanos (e eu) julgam discurso de ódio como um problema. Portanto, as estatísticas sugerem que a maioria dos americanos comunga da visão matizada de Nadine Strossen—a feminista, professora de direito e ativista por direitos humanos que foi a primeira presidente mulher da ACLU—que discurso de ódio (real ou aparente) deve ser combatido com diálogo, não com censura2.

8 Avaliação de caráter justa e proporcional

Eu também não peço ao leitor para ignorar os erros de Stallman—isto é, aqueles que são reais e corroborados, visto que a campanha difamatória gerou ou amplificou muitos boatos, fofoca e meias-verdades, particularmente em redes sociais. Entretanto, a avaliação do caráter de uma pessoa deveria se basear em interpretação fidedigna de evidências sólidas contextualizadas. Por exemplo, a campanha difamatória exibe a foto de um papel na porta da sala de Stallman no MIT dizendo “RICHARD STALLMAN—PALADINO DA JUSTIÇA (E DE SENHORAS GOSTOSAS)”.16 A campanha omite que o papel foi uma brincadeira escrita por outra pessoa e que Stallman o removeu, mas não antes de alguém tirar a foto.17

A atmosfera influenciada pela campanha difamatória contra Stallman exagera seus erros—além de dar crédito e difundir acusações claramente falsas (até mesmo piadas) ou não corroboradas—e ignora evidências, testemunhos e circunstâncias favoráveis. Mesmo um julgamento formal pode resultar em veredito injusto se for contaminado por campanha de linchamento midiático. Esse efeito é ainda mais intenso quando não há devido processo legal, apenas julgamento midiático. Considerando evidência sólida em contexto, seria proporcional a remoção permanente de Stallman de todas posições de liderança, como exigem seus detratores?

Stallman não agrediu sexualmente nenhuma mulher. Chamar mulheres para sair é normal para um homem solteiro. Seu erro foi chamar mulheres para sair de maneira que (não intencionalmente) as deixava desconfortáveis e também expressar em seu sítio pessoal algumas opiniões políticas controversas sobre assuntos que não são sua especialidade—e a mais chocante ele retratou.

Em resposta a isso ele já foi cruelmente humilhado na Internet, perdeu sua posição no MIT, perdeu a presidência da FSF e ficou 18 meses fora do quadro de administração. Ele ainda precisa ser permanentemente removido até do quadro de administração, como exigem seus detratores? Tudo o que ele passou não já é suficiente? O que aconteceu com proporcionalidade? A pessoa que erra deve ser permanentemente excluída do movimento que ela própria fundou?

A atual campanha difamatória em redes sociais chegou ao ponto de reivindicar que até mesmo os colegas de Stallman na FSF—e pessoas que o defendem—também sejam excluídos. Essa característica era comum na Idade Média—aqueles que defendem os acusados se tornarem novos alvos.

Se você acredita que Richard Stallman deve ser tratado com justiça, assine a petição An open letter in support of Richard M. Stallman | An open letter in support of RMS. O título está em língua inglesa mas a petição tem tradução para língua portuguesa. Também divulgue a causa: divulgue este artigo ou divulgue https://stallmansupport.org/.

9 Ver também

10 Contribuições bem-vindas

Esta causa precisa de ajuda—publicidade, tradução (eu posso ajudar com marcação Org Mode), dicas de SEO, crítica, melhoria do texto. O simples compartilhamento em redes sociais (compartilhe em muitas redes por favor) ajuda muito.

Para compartilhar em Mastodon, diaspora*, GNU Social e Friendica, eu recomendo simplesmente compartilhar ou dar boost nas minhas postagens lá (veja abaixo sobre meus perfis). Para outras redes sociais, preparei postagem, toot (≤ 500 caracteres) e tweet (≤ 280 caracteres). A postagem eu escrevi em Markdown; para usá-la, sugiro obter o código Markdown que forneci e pré-visualizar na rede social alvo—se ela não suportar Markdown, você pode consertar a formatação (eu ajudo). Outra ajuda simples e eficaz é acrescentar https://stallmansupport.org e talvez também https://jorgemorais.gitlab.io/justice-for-rms/index.pt.html à sua assinatura de e-mail, perfil de mídia social, etc.

Eu posso ser encontrado por XMPP/Jabber, correio eletrônico (caixa “jorge+git” no domínio disroot PONTO o r g), Mastodon (@Jorge@mamot.fr), diaspora* (jorgemorais@diaspora-fr.org), GNU Social (jorge@bluex.im) e Friendica (jorge@squeet.me). Também aceito issues, patches, merge requests 20 e sugestões.

11 Palavras finais

11.1 Atribuição e copyleft

Eu baseei este texto em:

A foto de Richard Stallman é da Wikimedia Commons (eu redimensionei a original).

Termos de uso: eu publico este sítio sob a licença Creative Commons Atribuição-CompartilhaIgual 4.0 Internacional (CC BY-SA 4.0). Os arquivos de código e configuração que escrevi estão sob a Licença Pública Geral GNU versão 3.0 ou superior (GPL-3.0-or-later). Os arquivos inclusos que não foram modificados do original ou foram modificados apenas trivialmente (geralmente para incluir comentários REUSE e LibreJS) estão sob a licença do original—todas são compatíveis com a GPL-3.0—inclusive o arquivo textlint-rule-terminology--Jorge_terms.json, trivialmente modificado do original sob a licença MIT. Eu acredito que as citações de stallman.org e as informações das notícias e das postagens sejam permitidas pela legislação.

Notas de Rodapé:

1

GNU é um sistema operacional (SO) completamente livre cujo núcleo (kernel) se encontra inacabado. GNU é normalmente usado em conjunto com o núcleo Linux, formando o SO completo GNU+Linux. Comumente, este último é chamado imprecisamente de Linux.

2

#Cancel We The Web (wetheweb.info, língua inglesa)

4

Jeffrey Edward Epstein (20 de janeiro de 1953 – 10 de Agosto 2019), um bilionário traficante de mulheres (muitas delas menores de idade) para sexo. Ele desenvolveu um círculo social de elite e obtinha mulheres e garotas que então eram abusadas sexualmente por ele e por alguns de seus contatos. Por muitos anos ele evitou punição proporcional por seus crimes.5

7

Marvin Lee Minsky (9 de agosto de 1927 – 24 de janeiro de 2016), pioneiro da inteligência artificial e amigo de Stallman. A primeira mensagem na trilha acusa Minsky de agredir sexualmente uma das vítimas de Epstein. Contexto e discussão se encontram em In Support of Richard Stallman - Explaining the Events that Led to Richard Stallman’s Resignation - Background.

8

Ele já argumentara isso antes—veja a entrada sobre sexual assault no Anti-Glossário de seu sítio eletrônico pessoal.

9

O original em inglês: “We know that Giuffre was being coerced into sex—by Epstein. She was being harmed. But the details do affect whether, and to what extent, Minsky was responsible for that.” [grifo meu]

10

O original em inglês: “I think that everyone age 14 or above ought to take part in sex, though not indiscriminately. (Some people are ready earlier.)”

11

Uma pequena amostra de suas postagens sobre o movimento transgênero:

12

Eu não tenho convicção sobre o mérito—se 17 anos deveria ser idade suficiente para consentir com sexo—por não ter estudado as devidas teorias, doutrina legal, legislação e jurisprudência. Meu argumento é que essa opinião deve ser tolerada, ou seja, não deve ser tabu.

13

No caso daqueles jornalistas profissionais que deturparam as palavras de Stallman de maneira tão escandalosa que é difícil acreditar que foram erros honestos, um processo por calúnia ou difamação pode ser razoável. Em muitas jurisdições, escrever mentiras para expor uma pessoa a ódio, desprezo ou ridículo público, por lucro (cliques de indignação e a respectiva receita de publicidade) é passível de pena. No entanto, eu não sou advogado.

16

Tradução livre. O original em inglês dizia “RICHARD STALLMAN—KNIGHT FOR JUSTICE (ALSO: HOT LADIES)”.

20

O repositório é https://gitlab.com/jorgemorais/justice-for-rms. Se você não tiver conta em gitlab.com e não puder criar uma devido ao infeliz JavaScript privativo do reCAPTCHA atualmente exigido então me envie patches e sugestões por correio eletrônico ou redes sociais livres (seção 10). Também aceito sugestões de outro provedor de hospedagem mais ético (liberdade de software). Precisa ter preço acessível em reais.

Autor: Jorge P. de Morais Neto

Criado em: 2021-04-26 seg 10:33

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